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SÃO PAULO/SP
Doria toma posse como governador de SP e diz que seu governo vai 'pensar grande'
02/01/2019

O governador eleito João Doria (PSDB) e o vice-governador eleito Rodrigo Garcia (DEM) tomaram posse dos cargos na manhã desta terça-feira (1º) na Assembleia Legislativa de São Paulo. Em seu discurso, Doria disse que seu governo vai pensar São Paulo grande.

"São Paulo precisa resgatar sua paixão por fazer bem feito. Vamos pensar São Paulo grande. Chega de pensar pequeno. Nõs não vamos pensar pequeno em São Paulo. São Paulo é uma nação. Aqui se encontram correntes migratórias de todo o país. Eu mesmo sou filho de nordestino, filho de baiano, com muito orgulho. São Paulo precisa fazer jus à sua grandeza."

Doria prometeu fazer um governo para o povo. "Pelo povo lutarei e pelo povo governarei em São Paulo. Devemos fazer o governo que a população deseja, o governo do povo, com os políticos e com partidos ", discursou Doria.

Doria prometeu fazer um governo empreendedor. "A população quer um governo eficiente e um governo de resultados. Vamos pensar São Paulo grande."

Doria disse que a redução da pobreza será uma das prioridades do seu governo. "O melhor programa social para o Brasil é o emprego. A política precisa trocar ideologia por trabalho."

Ao final do discurso, Doria chorou ao citar os pais Maria Sylvia e João Doria.

Tema da vitória

 

Em seguida, Doria foi para o Palácio dos Bandeirantes onde recebeu o cargo do até então governador Márcio França (PSB). Os secretários do governo Doria foram empossados, com exceção de Gilberto Kassab, que foi escolhido para ser o secretário da Casa Civil mas pediu licenciamento. Apesar de não ter comparecido à cerimônia de posse, Gilberto Kassab foi empossado como secretário da Casa Civil hoje e terá seu nome publicado no Diário Oficial desta quarta-feira. No entanto, ele já se licencia na sequência.

De acordo com a assessoria de imprensa do secretário Gilberto Kassab, ele não compareceu à cerimônia de posse na manhã desta terça-feira no Palácio dos Bandeirantes por "trata-se, apenas, de um formalismo jurídico por ser início de gestão".

O ex-governador Geraldo Alckmin, presidente do PSDB, não compareceu à cerimônia no Palácio dos Bandeirantes. A cerimônia no Palácio foi encerrada ao som do "Tema da vitória".

 

Discurso na Assembleia

Na Assembleia, Doria e Garcia fizeram um juramento prometendo respeitar a Constituição Federal e a do Estado. Em seguida, assinaram um termo de posse, que oficializa o início do mandato. "Prometo cumprir e fazer cumprir a Constituição Federal e a do estado de São Paulo e obedecer às leis."

Doria disse que todo mês estará presente por 2h30 na Assembleia Legislativa para dialogar com os deputados estaduais. "Valorizar o diálogo, o contraditório e a prática democrática", destacou Doria.

O governador disse que os eleitores estão cada vez mais atentos aos trabalhos dos palamentares e do executivo. "Temos o desafio de atender o sentimento de renovar a política que os brasileiros de São Paulo manifestaram nas eleições."

Sobre os secretários e demais membros de sua equipe de governo, Doria afirmou: "Deixei claro ao ter um time que é uma seleção que todos ali foram selecionados e deverão ser além de honestos, altamente eficientes e criativos. E se não forem, serão cortados, simples assim".

 

Mudanças no PSDB

 

Doria diz que defende mudanças no PSDB. "Defendo uma reestruturação no meu partido. Nós temos que ter a coragem de mudar, de sintonizar. Transformar não significa desrespeitar a história do PSDB, sobretudo aquela escrita por Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Mario Covas, Geraldo Alckmin. Vamos ajudar o PSDB a estar sintonizado com o novo Brasil", afirmou.

 

Apoio a Bolsonaro

 

O governador prometeu apoiar o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PFL). "Nesta casa assisti por mais de uma vez o discurso de posse de Mario Covas. Mario Covas declarou: "São Paulo jamais virará as costas para o Brasil".

"Nosso governo não virará as costas para o Brasil. E o meu partido, o PSDB, também não vai virar as costas para o Brasil. Os partidos, como os governos, precisam de novas posições, novos compromissos, novos projetos."

"Vamos apoiar as iniciativas do presidente Bolsonaro que resultem no progresso do Brasil. Vamos apoiar a reforma da Previdência e o Pacto Federativo. Nossos parlamentares federais estão engajados na redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e no projeto que põe fim à saidinha das prisões. Bandido tem que cumprir pena na cadeia."

"São Paulo vai trabalhar junto com o presidente na atração de investimentos internacionais para o Brasil, oferecendo segurança jurídica, transparência e ambiente seguro para a instalação de novas fábricas, comércio e centros de tecnologia e serviços."

 

Perfil

 

Doria tem 61 anos. Ele foi eleito para governador de São Paulo no segundo turno das eleições de 2018, com mais 10,9 milhões de votos. Doria foi eleito prefeito da capital paulista no 1º turno em 2016 e tomou posse em janeiro de 2017. Mas deixou o cargo um ano e três meses depois da posse, em abril de 2018, para concorrer ao cargo de governador.

Paulistano, Doria nasceu em 16 de dezembro de 1957, filho do publicitário e ex-deputado federal João Doria e de Maria Sylvia Vieira de Morais Dias Doria. Logo após o golpe militar em 1964, seu pai, publicitário e marqueteiro político, que se elegera deputado federal teve o mandato cassado, o que fez com que a família se exilasse em Paris por 2 anos.

De volta ao Brasil, a mãe de Doria instalou uma fábrica de fraldas em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo e Doria foi estudar na Escola Estadual Professora Marina Cintra, na rua da Consolação. Durante a campanha, em 2 de setembro, o então candidato visitou a escola. Doria foi recebido pela diretora e visitou a parte administrativa, conversou com alunos em uma sala de aula e tirou fotos com outros que estavam no horário do intervalo.

Em 1970, aos 13 anos, Doria começou a ajudar sua mãe na fábrica. Mais tarde, por meio das relações do pai, conseguiu um estágio em um departamento de Rádio, TV e Cinema de uma agência de propaganda.

Doria fez faculdade de Comunicação Social na FAAP e logo assumiu uma diretoria na antiga TV Tupi. Depois, tornou-se diretor na Rede Bandeirantes e ficou à frente da MPM, maior agência de propaganda do país na década de 80.

Hoje, Doria é casado com a artista plástica Bia Doria e tem três filhos. Ele tem dois livros lançados: “Sucesso com Estilo” e “Lições para Vencer”.

Sua grande marca está no Grupo Doria, grupo de Comunicação e Marketing composto por seis empresas: DoriaAdministração de Bens, Doria Editora, Doria Eventos, Doria Internacional, Doria Marketing & Imagem e LIDE (Grupo de Líderes Empresariais).

Foi no LIDE, que atualmente possui 1.650 empresas filiadas e que representam 52% do PIB privado brasileiro, que Doria se consolidou líder empresarial e articulador entre os empresários.

Também atuou como Publisher da Doria Editora que publica 18 revistas segmentadas voltadas para empresários e o público de classe A, entre elas: LIDE, Caviar LifeStyle, Gabriel, Meeting & Negócios, Mulheres líderes e Oscar.

Doria foi secretário Municipal de Turismo, além de presidente da PAULISTUR entre 1983 e 1986, na gestão de Mário Covas na Prefeitura de São Paulo. Posteriormente, presidiu a Embratur e o Conselho Nacional de Turismo, de 1986 a 1988.

 

Os desafios de Doria

 

Saúde, educação, segurança pública, corrupção e geração de empregos são, pela ordem, os os maiores problemas do estado de São Paulo, na opinião de eleitores, de acordo com pesquisa Ibope realizada em agosto, antes do primeiro turno das eleições. O desafio do governador que toma posse agora será cumprir as promessas nessas áreas.

Saúde: Doria prometeu levar para o interior programas de mutirão de atendimentos, exames, cirurgias e medicamentos, transformar UBS em hospitais essenciais e realizar convênios entre santas casas para compra de insumos. Para Oswaldo Tanaka, médico e diretor da Faculdade de Saúde Pública da USP, diz que o governador tem todas as condições de tentar renegociar e organizar assistência médica no estado fazendo uma boa negociação com os municípios, o que deve dar resultado em médio prazo.

Educação: Doria prometeu durante a campanha colocar São Paulo na liderança do Ideb (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico). A rede pública estadual de São Paulo ficou com 3,8 de nota no Ensino Médio no Ideb em 2017, atrás de Pernambuco (4,0), Espírito Santo (4,1) e Goiás (4,3). A meta era 4,6. Na edição anterior do Ideb, em 2015, São Paulo liderava ao lado de Pernambuco com 3,9 no ensino médio. Doria também prometeu contratar 9 mil professores, ampliar a educação integral e abrir substancialmente o número de vagas em creches. Priscila Cruz, presidente executiva do "Todos pela Educação" afirma que a o principal problema de São Paulo é a descontinuidade de programas e de políticas."

Segurança pública: Ivan Marques, diretor do Instituto Sou da Paz, afirma que é preciso investir nos policiais, na reabilitação da Polícia Civil, para que seja a polícia forte de investigação, que consiga levar criminosos que cometeram crimes a julgamento. Para ele, a Polícia Militar bem equipada e muito bem treinada precisa estar presente, mas como solução de conflito, mediadora do conflito. Para ele, a PM infelizmente tem indicador de letalidade alta demais, polícia mata demais e resolução de conflitos é outra coisa que precisa ser aprimorada.

Doria promete ampliar o número de policiais e reajustar seus salários, implementar 400 bases comunitárias e 22 batalhaões da PM, implementar novas delegacias, ampliar o atendimento, abrir novas unidades do Deic e criar 40 novas delegacias da mulher 24h.

Corrupção: A criação de uma controladoria geral do estado seria muito importante para fortalecer o controle interno do estado de São Paulo, na opinião de Juliana Sakai, diretora de operações da ONG Transparência Brasil, que recomenda tratar como prioridade uma abertura de dados abertos que permita baixar informações analisar quem tem mais contratos com estado, ver qual é o perfil dessas empresas, procurar possiveis empresas laranjas. Doria disse no Twitter em 28 de novembro que vai garantir total transparência das informações e eficiência na gestão do governo do estado.

Geração de empregos: Hélio Zylberstajn, economista especialista em trabalho, afirma que é preciso voltar a crescer e para voltar a crescer é preciso investir com parcerias, com PPPs, para relativamente em pouco tempo trazer capital pra abrir estradas, construir linhas de trem, melhorar os portos, para fazer concessões inclusive na área de moradia popular. Isso ativaria o mercado de trabalho, criaria a demanda por trabalho e poderia combater o desemprego. Doria promete lançar PPPs para investimentos em estradas e em obras de mobilidade.

 

Veja a íntegra do discurso de Doria

 

"Quero começar saudando o presidente Cauê Macris, os demais membros da mesa diretora da Alesp, os líderes dos partidos e todos os deputados.

Quero também saudar o meu vice, Rodrigo Garcia, que representou o povo de São Paulo em três mandatos nessa Casa e que honrou o trabalho dos nossos 94 deputados estaduais na sua passagem pela Presidência da Alesp.

Nenhum governo, numa democracia, pode prescindir do aconselhamento e da fiscalização dos representantes da população.

Pretendo estar presente nessa Assembleia, todos os meses, para conversar com os parlamentares da situação e da oposição, valorizando, com isso, o diálogo, o contraditório e a prática democrática.

Hoje temos eleitores cada vez mais atentos aos poderes públicos, fiscais permanentes dos nossos atos e declarações,

Nobres deputados, os brasileiros de São Paulo foram às urnas para confiar a todos nós, homens públicos do nosso querido Estado, uma missão pelos próximos quatro anos: a missão de renovar a política.

Temos o desafio de atender esse sentimento de que o Brasil, de fato, mudou. Conveniências pessoais não podem estar acima do interesse popular.

O recado das urnas foi claro: não há mais espaço para governos DOS políticos.

É preciso governar COM os políticos, PARA o povo. É o que farei.

Fonte: Admin - G1

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